No meu tempo

Eu já nasci problemático. Não era um recém-nascido cheio de dilemas existenciais nem mesmo ansioso por algum futuro próspero. Não era isso.

Mas minha mãe disse que meu parto foi difícil. Custei a me desprender daquela conserva onde havia passado quase um ano.

relogio

E não é que sou assim até hoje? Não me desprendo com facilidade. Do passado, então, nem se fale.

Sou saudosista, mas já fui mais. Já fui mais animado, mais elétrico, mais impulsivo, mais preocupado com o que fazer no fim de semana ou nas férias de janeiro.

A impressão que dá é que eu já tive uma vida bem melhor. Não que hoje ela esteja ruim, pelo contrário. Vestígios do tempo e o amarelado nas fotografias, entretanto, conseguem encher de charme um passado que, talvez, nem tenha sido tão interessante assim.

Eu devia me desprender de tudo isso e passar a conjugar minha vida só no tempo presente. Só que o meu relógio teima sempre em andar pra trás.

Se algum ponteiro sai da linha, logo assumo a culpa e deixo como está. Remoer memórias virou um exercício diário, que, vez ou outra, deve equivaler a algumas boas sessões de yoga.

Gosto disso. Gosto de ir além e ir a fundo. Não me pergunte, então, como foi o dia de ontem ou a viagem do fim de semana. Eu já nem lembro mais.

Por Breiller Pires

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