Archive for dezembro \18\UTC 2008

Então, é Natal?

dezembro 18, 2008

papai_noel

Mês de Natal. Hora de comprar um montão de luzinhas para enfeitar a árvore.

 

Hora de pensar no presente do amigo-oculto, geralmente mais oculto do que amigo, que você tirou no sorteio do trabalho.

 

Hora de mandar fazer roupa nova para usar na ceia e na missa do dia 25. Que coisa, hein? Essa história de Natal dá é canseira.

 

Não fossem os presentes e o pretexto para fazer festa, a data seria um misto de 1º de maio com dia de finados: a causa é nobre, mas só celebra quem já morreu.

 

Inconveniente, o Natal ainda brinda a todos com uma bela pedrada na consciência. Campanhas de solidariedade e especiais na TV, que pipocam à mesma velocidade que as promoções nas lojas de roupas e brinquedos, tentam mostrar que nesse mundo, como se não soubéssemos, há muita gente precisando de ajuda.

 

E o espírito natalino, ao invés de nos presentear com paz e harmonia, quebra o nosso ego em pedaços e nos faz sentir o peso de uma impotência sem tamanho.

 

Talvez, se todos os dias fossem Natal, a consciência poderia até se sentir incomodada. Ajudar ao próximo, então, seria obrigação, questão de honra.

 

Mas como esse dia vem só de ano em ano, até o réveillon a gente já se esqueceu de tudo. E ainda sobra tempo para reclamar do presente que ganhamos do bom velhinho, cada dia mais gordo.

Por Breiller Pires

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Eu quero ser

dezembro 2, 2008

Sempre quis ser jogador de futebol. Ou melhor, na verdade, sempre quis mesmo é ser motorista de ônibus. Mas não podia ser um ônibus qualquer.

Tinha que ser um ônibus de viagem. Imaginava uma vida boa, andando Brasil afora, viajando a trabalho. Imaginava que poderia viver disso para sempre.

Dirigir minha vida de acordo com os rumos da estrada. Pisar no freio quando desse na telha e escolher o melhor caminho, tudo sem pressa.

onibus

Descobri que eu estava viajando. Meninos de quatro, cinco anos não sonham ser motoristas de ônibus.

Sonham ser jogadores de futebol, médicos ou engenheiros.

Quando optei pelo futebol, já estava meio grandinho demais. Havia estourado o meu tempo.

Ser médico nem passou pela cabeça. Tenho fobia a sangue.

Para engenheiro, não tinha vocação. Faltava paciência para terminar um castelinho de areia. Um prédio, uma casa de verdade, não iriam além do alicerce.

Acabei sem opções na vida. E eis que, hoje, não sei o que eu quero ser. Mas tenho cada ideia…

Por Breiller Pires